
Mais um Congresso do PSD, que foi tudo menos o "entronar" do líder.
Durante o fim de semana, os militantes do PSD reuniram-se em Torres Vedras para debater o futuro do Partido e do País.
Confesso que gostei do discurso inicial de Luis Filipe Menezes. Um discurso virado para fora, pragmático, mas quanto a mim demasiado fracturante, ou seja, um discurso que tinha o objectivo de reunir consensos, mas que ao mesmo tempo apontava os defeitos do anterior líder.
Miguel Relvas referiu que o discurso de Luis Filipe Menezes ao incentivar os delegados e militantes à pluralidade de opiniões, nomeadamente na formação de listas ao Conselho Nacional, esvaziava o seu próprio poder.Concordo. Mas também me parece que o Congresso é o sitio certo para o Líder se esvaziar do seu próprio poder e ter a capacidade de conviver com as diferentes ideias, que mesmo dissonantes se podem revelar úteis no futuro. Não é fora do Partido, é dentro do Partido que tal deve acontecer.
Foi uma opção, mas que à semelhança do que se passou durante o Congresso, não conseguiu o seu objectivo major. Unir o Partido.
Também não era tarefa fácil, depois de uma eleições directas acutilantes.
Muitos se queixaram da dificuldade em chegar junto do líder, mas Luis Filipe Menezes tinha deixado bem claro, que a formação das listas ao Orgãos Nacionais seriam da sua inteira responsabilidade e não sucumbiria a pressões.
Estranha, a inclusão de Zita Seabra como vice-presidente.
Novidade as propostas, face à realização de uma nova Constituição e não uma revisão, e a de aumentar os poderes do Presidente da República. Parecem-me boas propostas. Talvez o PSD tenha outras prioridades, mas Luis Filipe Menezes conseguiu pelos menos chamar a atenção com estas novas ideias, dando timming e espaço político, e que valem por serem diferentes.
Veremos o percurso deste novo PSD, que terá a meu ver, que ser reavaliado antes do período eleitoral próximo. Aquilo que Menezes poderá fazer no Partido dependerá da forma como a Sociedade Portuguesa o aceitar enquanto líder da oposição.
Com toda a certeza algumas distritais e concelhias irão ter consequências porque são as mais próximas da população.
Presente , muito presente, esteve Pedro Passos Coelho, que se apresentou com uma sobriedade notável e uma clareza de raciocinio que não passou despercebida à comunicação social.
É sem dúvida um novo ciclo. Nunca as bases tinham sido chamadas para escolher um líder. É delas a responsabilidade. Cabe a Luís Filipe Menezes não as desiludir.
O País continua à espera.