quinta-feira, 27 de Setembro de 2007


Pedro Santana Lopes abandonou o estúdio da SIC Noticias depois de ter sido interrompido por causa da chegada de José Mourinho a Lisboa.

Penso que qualquer pessoa de bom senso faria o mesmo.

Todos sabemos a importância do futebol neste País.

Mas interromper um homem que já foi Primeiro-Ministro (bem ou mal, durante o tempo que lhe foi possivel), por causa da chegada, imagine-se, da chegada de um treinador de futebol, é no mínimo uma falta de consideração por todos os portugueses.

Estranho...não vi interrupção nenhuma por causa da chegada da selecção de raguebi, ou do Nélson Évora, ou da Vanessa Fernandes.

E também nunca vi a interrupção de uma entrevista a um treinador de futebol, por causa da chegada de um ex-primeiro ministro.

Bom...eu também pouca televisão vejo.

O mal deve ser meu.

5 comentários:

R.P.M. disse...

Toda a gente sabe que o psd é um partido grande, de massas e de quadros, habituado ao poder e às benesses que ele proporciona às suas clientelas: seja na Administração central, seja nas autarquias e no poder local - onde o psd tem tradição de liderança, e em certos casos - como Viseu - dando bons exemplos de gestão municipal. Oeiras durante 16 anos de Isaltino Morais também se encaixou nesse perfil, mas com as contas do sobrinho na Suíça que era taxista, os problemas pendentes com a Justiça (que se arrastam e nada se decide, o que me leva a supôr que seria a Justiça que se deveria sentar no banco dos réus..) e a incompatibilidade entre ele e MMendes, então líder do psd, levou a que as crises intestinas abrissem fracturas profundas nesse grande albergue espanhol que até pessoas como Zita Seabra para lá foram parar. Provavelmente, para editar os livros dos amigos políticos...que mais ninguém editaria.

Hoje, Meneses - que sempre foi um líder de facção sem dimensão para lá da cortina de Gaia, é o líder frouxo do psd, e na calha o Santana lopes tem-se vindo a oferecer para liderar o grupo parlamentar na AR. Remetendo, assim, o líder cessante, Marques Guedes, para o caixote do lixo da história, donde, aliás, ele nunca saíu, diga-se em abono da verdade. Guedes estava lá para bater palmas ao Mendes, era essa a sua função canina, e o olho macroscópico dos media captaram esses sinais vezes sem conta.

Será que Santana seria uma boa opção para o PSD, para o governo socialista e para o País? Não creio. Explicitarei porquê.

Santana Lopes é hoje um homem tão cansado quanto esgotado, fala acerca de tudo, é uma espécie de especialista em generalidades, ninguém o respeita, dos media à demais oposição e à sociedade em geral. Enquanto PM foi uma lástima, seja no plano técnico, político e cultural. Só aquela tomada de posse no Palácio da Ajuda foi digna duma sessão de psiquiatria do Júlio de Matos, enquanto primo inter pares não tomou uma medida infra-estruturante da sociedade portuguesa, não deixou marcas. Os odores que deixou foram para esquecer. Daí que a imagem que ele deixou para o interior do seu próprio partido foi nefasta, corrosiva e auto-destruidora. Para o País a coisa também ficou clarinha como a água.

É óbvio que no plano dos interesses do PS Santana - como líder fraco que é, poderia servir os interesses de Sócrates, que agora teria uma oposição parlamentar mais genérica, difusa, sem qualquer domínio dos dossiers e dos problemas específicos que afectam Portugal e a Europa.

Também aqui, em rigor, nem o PS (enquanto governo) nem o País - ganhariam realmente nada com Santana a fazer mais um número de circo no hemiciclo da AR só para ganhar visibilidade e, no termo da legislatura, já com Meneses agastado e rebentado pelas costuras, ser ele, o grande Santana, a tomar a dianteira e fazer dois lances:

1. Dar a estocada final no Meneses, que serviu apenas de trampolim para Santana subir a colina;

2. E, num 2º movimento, tentar enfrentar Sócrates (nas legislativas) - que o voltaria a trincar ao pequeno-almoço como sucedera há dois anos, em que nem os truques ofensivos e canalhas (suspeição de homosexualidade e os fumos de corrupção no shopping FreePort de Alcochete) que a campanha de Santana utilizou - chegaram para desvalorizar a proeminência de Sócrates que ganhou em toda a linha.

Ou seja, a presença de Santana na vida pública nacional é má para todos: má para o PSD - que não vê nele nem credibilidade nem refrescamento de ideias e projectos para Portugal (senão ambição de poder pessoal, é do que se trata, nada mais); má para o governo PS - que assim também não poderá contar com uma oposição à altura para fiscalizar o governo e propor medidas alternativas nos mais variados domínios das políticas sectoriais; e má para ele próprio que demonstra à nação, once again, que está profundamente dependente da política para viver, revelando com isso que não sabe fazer mais nada na vida.

Lamento referi-lo, mas hoje Santana Lopes é um nado-morto da República, um homem-cato de quem todos se querem afastar, um passivo tremendo na vida pública, estou em crer que nem o BE o aceitaria para seu assessor quanto mais para líder "para-lamentar".

Isto reflecte, por extensão, outra desgraça política: o ponto de inteligibilidade que Meneses tem ou faz da política, dado que ele nem se apercebe que ao viabilizar Santana no grupo parlamentar está a encomendar o seu próprio caixão político, o que não deixa de ser mais um favor que este miserável psd faz a Sócrates.

PS:Há dias o País ficou a saber que Meneses tinha um blog, mas a forma como nele utilizava conteúdos copiados da wikipédia sem sinalizar as fontes é lamentável. Depois veio-se a saber que não era ele, Meneses, quem o escrevia mas um amigo. Hoje sabe-se que Santana também tem um blog, seria desejável - dada a simetria de comportamentos entre ambos, que não se viesse a descobrir replicação de métodos e de procedimentos. Seria mais um tiro no pé, e nós aqui não desejamos mal a ninguém.

Já agora, como é que se chama o blog do Santana Lopes...

Chico disse...

«(...) proeminência de Sócrates»

Nem mais meu caro r.p.m. o problema é como vaticinaste a proeminência de Sócrates.

Dizem que Santana é Sócrates
Santana não é Sócrates não
Santana é um passarinho
Sócrates é um passarão

Como é evidente, Santana não é modelo para ninguém, até os seus apaniguados fogem dele, porém e, com ou sem calculismo, teve uma atitude mui digna. Atitude que outras proeminentes figuras da nossa politica provavelmente, calculistas que o são, não se atreveriam a ter.

Mesmo sabendo que o rapazito não tem princípios (Já esqueceram a promessa que fez de abandonar a politica, depois de uma audiência ao então Presidente da República, se não obtivesse um pedido de desculpas de uma ridícula caricatura que dele fez João Baião?! Ele disse que abandonava a politica... depois disso chegou a primeiro ministro...], apesar disso e de tudo o mais ergo a minha taça em honra do "menino guerreiro".

L. disse...

A situação que se vive com as eleições directas no PPD/PSD, aconselha o seu adiamento.
Não vale a pena fazer grandes comentários. Tudo o que se tem passado, nos últimos tempos, é mau de mais para ser verdadeiro.
Pedro Santana Lopes – 2007/09/27

A eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do PPD/PSD, constitui uma vitória com grande significado político. Por quem ganha e, também, por quem perde.
A campanha teve momentos melhores e piores, que também importa não esquecer. Mas o resultado obtido pelo novo líder, tem uma importância incomparável.
Pedro Santana Lopes – 2007/09/29

A lógica é uma batata. Grela consoante o estrume que a faz medrar.

Anónimo disse...

Caro Tó-Zé,
Hoje no Diário de Notícias o jornalista Portalegrense João Miguel Tavares diz tudo o que muitos de nós pensamos sobre o PSL:


«ACHO QUE O PAÍS ESTÁ DOIDO, COM TODO O RESPEITO

E de repente, o homem é um herói nacional, porque levantou o rabo da cadeira e saiu dos estúdios da SIC antes de uma entrevista acabar. Da esquerda à direita, aplausos e aplausos e aplausos. Ao ousar rebelar-se contra a ditadura do directo televisivo, Pedro Santana Lopes transformou-se em referência moral da nação. Viva o Pedro Santana Lopes! Eu também estou quase a aplaudir. Estou quase, quase, quase, quas…, qua…, q… Mas esperem lá. Paremos para pensar um bocadinho. Aquele é o Pedro Santana Lopes. E aquela era uma entrevista sobre as directas do PSD. Ora, Santana Lopes indignar-se por ter sido interrompido por um directo idiota faz tanto sentido quanto Cicciolina ruborescer ao ouvir um piropo na rua. Aquele homem nasceu, viveu e morreu na televisão. Armar-se em virgem ofendida? Ele? Não pode.

E depois, há o contexto. A reacção pressupõe, além de uma boa dose de pedantismo, que há uma espécie de superioridade moral da política sobre o futebol. Num país normal e civilizado, eu não duvido. Mas em Portugal? Qual é a ascendência moral destas eleições no PSD - que ele vivamente comentava antes da chegada de "um treinador de futebol" -, onde se discutiu a existência de sociais-democratas na Amazónia e a possibilidade física de centenas de militantes se terem empilhado ao mesmo tempo em torno de uma caixa multibanco para pagar quotas? Aliás, qual é a linha que separa a política do futebol quando olhamos para os amigos e apoiantes de Luís Filipe Menezes? Convém recordar aos distraídos que o PSD acabou - para evidente felicidade de Santana Lopes - nas mãos de um homem que no discurso de vitória garantiu que o seu partido é "maravilhoso" e que chamou "vivacidade" a três meses de peixeirada. É isto que vale mais do que Mourinho na Portela?

Cito Santana: "Acho que o País está doido, com todo o respeito. Por isso não continuo a entrevista. O País tem de aprender." Eu sei que a memória do pessoal é curta, mas ouvir Santana dizer "o País tem de aprender", em tom professoral, sabendo nós o estado em que deixou o País, é a mesma coisa que ver um talibã a discursar sobre a qualidade da estatuária budista - não bate certo. É verdade que a SIC se portou mal e que não foi lá muito esperta ao esconder as imagens do que se passou, mas a indignação de Santana é apenas uma mistura de marketing e sobranceria. Pessoalmente, dispenso. Embora numa coisa eu esteja de acordo com toda a gente: é sempre muito mais interessante ver Santana Lopes a sair de um estúdio de televisão do que a entrar nele.»

Um abraço,

Jer disse...

UMA GRANDE, GRANDE, DÚVIDA?

Não foi Santana Lopes que ainda há bem pouco tempo defendeu a necessidade de um novo partido? Não foi assim há tanto tempo, o Diário de Notícias dava a notícia no passado mês de Março e tanto quanto se sabe Santana Lopes nunca a desmentiu:

«"Existe neste momento um grande descontentamento. O PSD vive à volta de um aparelho cada vez mais fechado. Os militantes vêem-se impedidos de participar na vida interna do partido. Ou se consegue mudar isto por dentro ou o melhor é sairmos para formar um novo partido", disse ao DN um dos mais directos colaboradores de Santana.» in:Diário de Notícias

Agora que o PSD regressa aos tempos do PREC santanista, uma espécie de PREC dos shots, Santana Lopes já não fala em criar o seu partido e até defende Menezes com unhas e dentes, como se o novo líder o tivesse designado por guarda oficial.

Os candidatos a traidores transformam-se rapidamente em candidatos a heróis.